Monday, January 29, 2007

Foi um dia… há algum tempo, ouvia-a como se eu estivesse só no meio da multidão. Não era a sua presença nem o espectáculo que me impediam de ir embora, era o que ainda me tinha para dar sem ela o saber!
Cantou à sua maneira como sempre o fez, e quando terminou, agradeceu e retirou-se. Foi nesse mesmo instante que gritei do meio daquela gente, e implorei-lhe aquilo que mais queria ouvir.
Sem se aperceber de quem o tinha feito, voltou apenas com a noção de que o tinha que realizar. Pegou na guitarra, e quando soltou o primeiro acorde, fechei os olhos para absorver tudo o que ela me estava a oferecer…

Geme o restolho, triste e solitário
a embalar a noite escura e fria
e a perder-se no olhar da ventania
que canta ao tom do velho campanário.
Geme o restolho, preso de saudade
esquecido, enlouquecido, dominado
escondido entre as sombras do montado
sem forças e sem cor e sem vontade.
Geme o restolho, a transpirar de chuva
nos campos que a ceifeira mutilou
dormindo em velhos sonhos que sonhou
na alma a mágoa enorme, intensa, aguda.
Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar para aprender a viver.
e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
prá receber daquilo que aumenta o coração.
Geme o restolho, a transpirar de chuva
nos campos que a ceifeira mutilou
dormindo em velhos sonhos que sonhou
na alma a mágoa enorme, intensa, aguda.
Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
é preciso penar para aprender a viver.
e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
prá receber daquilo que aumenta o coração.
Mafalda Veiga

Sunday, January 21, 2007

Caixa de surpresas



Eu tenho uma caixa, ela guarda segredos.
Segredos que só eu sei.
Um dia hei de abri-la, para que o mundo sobreviva
E os fantasmas adormeçam ...em paz.

João Roberto de Souza

Thursday, January 18, 2007

Once upon a time


One tale, one song, one music...

Once upon a time...
I am at ease in the arms of a woman
although now most of my days are spent alone
a thousand miles from the place I was born
But when she wakes me she takes me back home

Now most days I spend like a child
who’s afraid of ghosts in the night
I know there ain’t nothing out there
I’m still afraid to turn on the light

I am at ease in the arms of a woman
although now most of my days are spent alone
a thousand miles from the place I was born
but when she wakes me she takes me back home

A thousand miles from the place I was born
But when she wakes me she takes me back home

I am at ease in the arms of a woman
although now most of my days are spent alone
a thousand miles from the place I was born
when she wakes me she takes me
Yeah, when she wake me she takes me
Yeah, when she wake me she takes me back home

When she wake me she takes me back home

Amos Lee
I´ve been waiting for a long time with my arms open, since you gone until you back... to the place you was " born"!

Wednesday, January 17, 2007

Roads

Quando caimos e nos levantamos com a cabeça erguida!
Quando ouvimos o indesejado e falamos o protesto!
Quando se vive e se acredita!
Quando as palavras são tudo e são nada!
Quando és a mais essência do teu ser...


... por vezes acontece!

Tuesday, January 16, 2007

Voo



Foto: Stallker

Ontem adormeceste enquanto te observava. A luz ficou acesa durante a noite, e de madrugada debruçaste-te sobre mim para me beijar! Foi um beijo sem fim, pleno de deleite que durou até a luz do dia dissolver a que ainda estava acendida.
Agora, voo sem asas por entre as nuvens da manhã, sem rumo mas com destino, e deixo-me levar…

Sussuro

É verdade que um olhar pode dizer mais que mil palavras, mas que vale esse olhar quando um simples sussuro é dito no mais oportuno dos momentos, tornando este eterno e singular?
Nada, nem ninguém, o consegue apagar do tempo e do espaço que irão ocupar no meu/teu consciente.

Thursday, January 11, 2007

Sometimes You Can't Make It On Your Own

Tough, you think you've got the stuff

You're telling me and anyone

You're hard enough

You don't have to put up a fight

You don't have to always be right

Let me take some of the punches

For you tonight

Listen to me now

I need to let you know

You don't have to go it alone

And it's you when I look in the mirror

And it's you when I don't pick up the phone

Sometimes you can't make it on your own

We fight all the time

You and I...that's alright

We're the same soul

I don't need...I don't need to hear you say

That if we weren't so alike

You'd like me a whole lot more

Listen to me now

I need to let you know

You don't have to go it alone

And it's you when I look in the mirror

And it's you when I don't pick up the phone

Sometimes you can't make it on your own

I know that we don't talkI'm sick of it all

Can - you - hear - me - when - I -

Sing, you're the reason I sing

You're the reason why the opera is in me...

Where are we now?

I've still got to let you know

A house still doesn't make a home

Don't leave me here alone...

And it's you when I look in the mirror

And it's you that makes it hard to let go

Sometimes you can't make it on your own

Sometimes you can't make it

The best you can do is to fake it

Sometimes you can't make it on your own

U2

E se...

Questiono-me por vezes se nada daquilo tivesse acontecido, somo seria o agora?
Estaria este olhar mais presente nos meus dias? A cumplicidade e o respeito que me envolviam na sua presença?
Não sei responder, ninguém o sabe, e nunca virei a saber!

Wednesday, January 10, 2007

Para Sempre...Tentação!

Foto:Mike Brockschimdt

O nosso amor de sempre
Brilhar, p'ra sempre
Ai, meu amor
O que eu j chorei por ti
Mas sempre
P'ra sempre
Vou gostar de ti

Juro, meu amor que sempre
Voltarei, p'ra sempre
Ai, meu amor
O que eu j chorei por ti
Mas sempre
P'ra sempre
Gostarei de ti

Ai, meu amor
O que eu j chorei por ti
Mas sempre
P'ra sempre
Vou gostar de ti!
Xutos e Pontapés

Tuesday, January 9, 2007

Gravity

Honey
It's been a long time coming
And I can't stop now
Such a long time running
And I can't stop now
Do you hear my heart beating?
Can you hear the sound?
Cos I can't help thinking
And I don't look down...


And then I looked up at the sun and I could see
Oh the way that gravity turns for you and me
And then I looked up at the sky and saw the sun
And the way that gravity pulls on everyone
On everyone...


Baby its been a long time waiting
Such a long long time
And I can't stop smiling
No I can't stop now
Do you hear my heart beating?
Oh can you hear that sound?
Cos I can't help crying
And I won't look down...


And then I looked up at the sun and I could see
Oh the way that gravity turns on you and me
And then I looked up at the sun and saw the sky
And the way that gravity pulls on you and I
On you and I

Chris Martin

Faz de conta

Faz de conta que já é noite.
Estás no sítio do costume, a fazer o que é hábito teu. Fechas a passagem que dá para fora e embrenhaste com as tuas coisas. Ninguém entra, mas quem lá está, também já não sai.
Não fiques assim por muito tempo… quando voltares a abrir a porta, o que lá deixaste da última vez podes já não encontrar.
Faz de conta que já foi noite.

Não vás hoje, nem nunca mais para esse sítio que te aparta do que ainda não notaste lá fora.
Por vezes é dificil com tanto faz de conta, quando o que não é de conta, deveria ser o faz de conta verdadeiro!

Por vezes apetece...


Handicap



Julguei-te mais forte!
Pensava que já tivesses superado tudo isto…
Afinal essa imponência e autoritarismo que tanto esbanjas, são o teu handicap.
Na verdade foi uma perda, e qualquer perda tem o seu luto.
Evita-te deste modo, e age com a cabeça. Procura as forças onde as deixaste a última vez que tentaste começar de novo… o tempo não vai esperar por ti, assim como nunca esperou!

Tuesday, January 2, 2007

Eterna

Se há coisa que mais custa é ver o sol nascer depois de uma noite que deveria ser perene… é como se tivesse a saborear um gelado de chocolate, e quando espero deliciar-me com mais, ele sumiu-se e sem aviso! Assim foi aquela noitada! Quando menos esperava, a lua que até ali me tinha acompanhado tinha-se sumido e com ela as estrelas. O céu clareou num ápice, e tudo se dispersou. Tudo, menos as reminiscências ainda frescas de todos os momentos únicos, desejados, vividos e partilhados com quem me faz rir, falar, ouvir, dançar, abraçar, e beijar por momentos que pensei que fossem eternos! Nem uma ida fugaz até uma outra dimensão seria capaz de furtar a genuinidade de algo assim.
Quando se vive e ama itensamente, sem limites nem preconceitos, a vida dá-te muito mais do que lhe pediste, e de uma forma que não te arrependes nem te arrependerás…

Friday, December 29, 2006

Lembrar


Enquanto a espuma engole as pegadas deixadas, vencida pelo cansaço atiro-me para a areia para recuperar o fôlego que a corrida me roubou. Sinto os músculos a pulsar, e o meu peito num vai vem. Deixo-me embalar pelo som da rebentação, e afagar pelos raios mornos que me vão aquecendo a alma por entre o cheiro e a brisa do mar.
Depois deste momento de mansidão, sento-me a olhar o infinito, onde o azul do céu se funde com o do oceano e onde a minha imaginação costuma pairar. Deixo-me ficar por mais tempo naquela contemplação, meia acordada meia adormecida ...
Lá ao fundo, na outra ponta da praia, vejo semblantes a galgar as ondas montados em tábuas que planam sobre a água. Uns enfrentam a crista quando ela começa e enrolar, outros encaram o envolver já à beira-mar. Mais próximo de mim há um grupo que canta e dança, e no centro da roda que formam dois deles envolvem-se num rodopio de golpes e floreios sem se tocarem. Ainda mais perto, 3 crianças jogam à bola, sem medo das quedas e das rasteiras que vão passando uns aos outros. E assim o tempo passa, para eles e para mim. Olho de novo cada cenário, e neles me revejo. Dou forma a um sorriso, que surge com as imagens formadas pela recordação de momentos onde fomos crianças com a idade de um adulto. E assim, lembro o que me fez sentir feliz por realizar um sonho ou permitir que alguém o realizasse.

Tuesday, December 26, 2006

... e soube tão bem


Quando voltei despi-me do resto da vida que se ficou de vez, e vesti as vestes novas que encontrei ao chegar. Aprontei-me para estar com aqueles que mais me amam, e que sempre me receberam desta forma singular, sem moldes nem retoques, genuínos no que têm para dar.
Foi isto que eu pedi e foi isto que tive… a melhor prenda de Natal!

Monday, December 25, 2006

Origens



Já vai alta a noite com um quarto de lua.
Pela primeira vez, decidi passar a noite da passagem de ano só, comigo mesma e mais ninguém.
Estou sentada no alpendre da minha casa, no primeiro degrau do escadório e encostada ao pilar de carvalho desgastado pelo tempo. Numa das mãos seguro uma taça de Asti de 1970, enquanto na outra uma cigarrilha de café que uma das minhas primas me trouxe de qualquer sitio para lá do Atlântico.
Olho para o infinito, e procuro no breu da noite uma silhueta de alguém inesperado, que me surja por entre os salgueiros velhos plantados junto à cerca. Consigo ouvir o tresmalhar das suas folhas, assim como o piar de um mocho Galego que me acompanha desde as noites ainda mornas do Outono. E quando o vento muda, chega-me aos ouvidos o sonido da corrente do riacho que delimita o lado Oeste do padoc.
Uma ligeira brisa faz balançar a cadeira de baloiço, e é ai que me lembro o quanto mais confortável ela é, que aquele tronco velho que me arranha as costas. Sento-me nela.
Dou o meu último trago, e puxo bem por aquela cigarrilha…
“Feliz Ano”, suspiro eu, “espero que seja bem melhor do que este que me deixou!"
Não tenho memória de nada assim, tão mau e indesejável, como várias situações que me ocorreram nos últimos 366 dias!
Falhei, pessoal e profissionalmente. E a minha vida social também já teve melhores momentos. Os feitos realizados ficaram muito aquém das expectativas criadas. E os poucos mas bem conseguidos, duraram por pouco tempo.
Algumas vezes soube onde errei, e admiti-o sem hesitar. Outras, não consegui ver onde estava o mal, assim como até hoje não o encontrei.
Perdi quem me era mais querido e insubstituível, deixei quem amei e desprezei quem um dia me amou. Não fiz um esforço para ser ouvinte quando me pediram, e não falei quando realmente devia ter falado… fiquei triste, arrependida, e até mesmo frustrada…
Sinto-me ainda fraca por não controlar a impotência que me atinge inexplicavelmente, e me impede de ser aquela pessoa de que me lembro mais, e que um dia fui… sim, que muitos dias fui.
Fiquei sozinha nesta noite para tentar perceber de uma vez por todas a origem, a razão, ou talvez as raízes deste jeito de estar na vida, que tanto me agonia.
Voltei aqui, a este sítio que me viu crescer, e ser aquela que eu busco reencontrar, para reabastecer-me com esta veemência pura e serena que eu sinto toda a vez que cá volto. Mas custou… nos primeiros dias nem a integridade deste ar que me chegava ao âmago me valeu! Era como o mal se tivesse espalhado e depois, sentindo o fim dos seus dias, vincou-se mais que nunca nos actos e reminiscências de todos os ontens. Isolei-me por completo. Fiquei sem saber dos entes queridos e amigos, não desejei Bom Ano a ninguém… passou-me a loucura de um egoísmo estúpido pela cabeça, mas acordei desse transe a tempo! A tempo de estar agora aqui, de taça de Asti na mão e cigarrilha na outra, e com a esperança de que o ar que o Ano Novo traz me limpe das maleitas que afogaram muitas das minhas horas vividas…no ano que findou.
Pode ser que ainda vá a tempo, e desejar um Bom Ano a quem não desejei…
Brigite
Tirado de "um sitio".

Renascer


Quero fechar os olhos e adormecer, e quando acordar, ter nascido de novo. Há momentos, há dias, em que o maior desejo é fugir, ficar só!Queria ter o poder de parar o tempo, isolar-me e reflectir no que fiz, no que disse ou que insinuei! Depois, queria ter o poder de voltar atrás momentos antes, e reviver aquele momento que me pôs fora de mim!
E se assim fosse, que seria esta existência? Uma utopia feita ao nosso grado e à nossa forma? Não tinha sentido!
Pois então porque aspiro este poder se ao mesmo tempo o menosprezo? Porque o arrependimento é um sentimento forte, e por vezes faz doer! Aceito então! O que está feito, feito está! Desafogo com alguém que me compreende, com alguém que nos fez ver que errámos, que não fomos correctos quando pensámos que o estávamos a ser. Perguntaram-me quem sou, mas eu não soube responder! E penso que nunca soube bem quem era… aprendi que cada dia é um dia, e que aquilo que não se faz hoje porque parece incorrecto, amanhã mesmo pode fazer sentido! Há situações, que mesmo que se pense mais que uma vez antes de agir, não se consegue controlar. Neste mundo não estamos sós! Mas não é um dia que faz a pessoa que somos, que nos define como ser humano racional. São todos os dias, os bons e os maus, os felizes e os infelizes, o passado, o presente, e também o futuro! Esta forma de ser não é um livro como esse que lemos ao adormecer e ansiamos pelo fim. Não há fecho nem estagnação na maneira de se viver. Aprendemos a errar e a corrigir, a relembrar e a ensinar, e assim continuamos a redescobrir-nos cada dia desta vida…
Brigite
Tirado de "um sitio".

Sunday, December 17, 2006

Contigo

In the arms of an angel
Fly away from here
From this dark cold hotel room
And the endlessness that you fear
You are pulled from the wreckage
Of your silent reverie
You’re in the arms of the angel
May you find some comfort there

Sarah McLachlan

Sim, nunca a ouvimos juntos... mas eu sempre a ouvi contigo...

Menino


Chegaste, com esse teu jeito, e na tua face um sorriso rasgado.
Abro os braços para te receber, e no ímpeto do enlace, dás-me um beijo ternurento… tão bom!
Perco-me por completo quando estou contigo. O tempo pára!
Sigo-te. Contigo vou para todo o lado, corro o teu mundo onde só deixas entrar quem tu queres, e partilho todas as brincadeiras e sonhos da tua criança.
A tua inocência e docilidade dão-me paz. Se soubesses o bem que me chega quando estamos juntos! Ficaria por tempos e tempos nesta serenidade que nos embala, onde os outros são companheiros de folia, e as coisas que nos rodeiam são mais um divertimento por desvendar.
Quando o cansaço te toca, e os teus olhos não mentem, aninhaste no meu ventre em busca do calor e do repouso.
Quem me dera ter mais destes dias, onde respiro nostalgia e a alegria corre-me no âmago. Seria tão bom ficares sempre assim, menino! De olhos vivos e profundos, como a alma que transpiras em cada gesto que me prendas.